CERATOCONE

CERATOCONE

O que é o ceratocone?

O ceratocone é uma doença na qual a córnea desenvolve um formato de cone ao invés de seu formato esférico habitual, distorcendo e embaçando a visão com graus variáveis de miopia e astigmatismo. Apesar de não ser popularmente conhecida como uma manifestação ocular preocupante, o ceratocone é uma condição clínica mais comum do que imaginamos, já que ocorre em 1 em cada 20.000 indivíduos e é também o principal motivo que leva ao transplante de córnea no Brasil.

É uma doença progressiva, que costuma surgir na puberdade, e evolui até em torno de 40 anos, onde normalmente atinge sua estabilização. O acometimento é variável em cada pessoa, podendo alguns desenvolver, uma forma avançada ainda jovens, enquanto outros apresentam quadros frustros (leves).

O que causa o ceratocone?

Apesar de tantas pesquisas e dos incontáveis avanços nesta área, ainda não se sabe exatamente o que causa o Ceratocone. Sabemos que se trata de uma doença de caráter não inflamatório da córnea, que é quase sempre bilateral, tem herança genética e está extremamente relacionada às alergias em geral, e principalmente ao hábito de coçar os olhos.

Se você tem um irmão com Ceratocone, a sua chance de apresentar essa doença é muito maior do que a população em geral. É importante esclarecer que o Ceratocone não é uma doença contagiosa, ou que sofra influência de fatores externos, exceto do hábito de coçar os olhos, que pode desencadear a patologia, ou ainda piorá‐la, nas pessoas que tenham alguma predisposição para o seu desenvolvimento.

Quais são os sinais e sintomas do ceratocone?

1 – Visão borrada para longe ou visão dupla;
2 – Mudanças frequentes na prescrição do óculos (geralmente durante a adolescência);
3 – Visão insatisfatória mesmo com o uso de óculos;
4 – Visão nítida apenas para objetos muito próximos;
5 – Fotofobia;
6 – Coceira excessiva (presente em até 20% dos pacientes com a doença).

Esses sintomas comumente relacionados ao ceratocone são uma consequência de alterações estruturais que ocorrem na córnea e que a tornam mais fina e sensível, resultando nas percepções citadas acima.

Como diagnosticar o ceratocone?

Muitos casos são passados despercebidos no exame de rotina sendo prescrito apenas óculos com aumento do grau todos os anos mas sem o diagnóstico de ceratocone. Por isso é essencial fazer uma consulta com um especialista em ceratocone, que ao encontrar casos suspeitos, irá realizar exames complementares modernos e decidir a melhor conduta para o paciente Casos suspeitos tem indicação de exame diagnóstico, sendo a Topografia de Córnea um dos primeiros e a ser realizado.

Exames complementares importantes:

Topografia de Córnea: avaliação da curvatura anterior da córnea, detectando irregularidades e distorções na superfície do olho.
Paquimetria Ultrassônica: mede a espessura da córnea (o ceratocone costuma evoluir com distorção e afinamento da córnea).
Tomografia de Córnea: avaliação de curvatura anterior e posterior da córnea, em conjunto com sua espessura em diferentes pontos.

Além dos exames acima, é importante realizar o Mapeamento de Retina, para afastar qualquer perda de visão associada a doenças da retina ou do nervo óptico.

Pelo fato dos exames acima serem realizados de rotina nos candidatos à cirurgia de miopia e astigmatismo a laser, é muito comum na prática clínica diagnosticarmos o ceratocone nos pacientes interessados neste tipo de cirurgia. A cirurgia refrativa a laser nos pacientes com ceratocone deve ser cautelosamente avaliada pelo médico oftalmologista.

Qual o tratamento do ceratocone?

O tratamento do ceratocone ganhou grande destaque nos últimos anos. Novas lentes de contato com materiais e curvaturas mais sofisticados permitiram atingir maior qualidade de visão. O desenvolvimento de novos modelos de anéis intra-estromais também permitiram ampliar as indicações de seu uso, beneficiando grande número de pacientes com ceratocone.

Destacam-se como tratamentos do ceratocone:

– Estabilidade: crosslinking da córnea
– Visão: óculos, lentes de contato ( gelatinosas, rígidas de córnea e rígidas escalareis), implante de anel estromal e transplante de córnea ( lamelares e penetrantes )

O importante, no tratamento do ceratocone, é a busca da estabilidade e da melhor visão do paciente simultaneamente.

Na fase inicial do ceratocone a troca de óculos ocorre com maior freqüência e se eles não são capazes de melhorar a visão pode-se adaptar lentes de contato. As lentes de contato rígidas apresentam a características de fornecerem a melhor visão aos pacientes com ceratocone. Recentemente foram lançadas lentes de contato gelatinosas e lentes esclerais apropriadas para o tratamento do ceratocone.

Quando o uso da lente de contato já não é mais satisfatória, pode-se avaliar a possibilidade de implante de anel intra-estromal, cujo objetivo é aplanar novamente a área central corneana. Isso permite ao paciente com ceratocone voltar a usar a lente de contato e em alguns casos apenas óculos.

A grande conquista no tratamento do ceratocone é a possibilidade de interromper sua progressão através de um procedimento chamado de crosslinking da córnea. O transplante de córnea é a última opção de tratamento do ceratocone, quando as lentes de contato não tem mais condições de fornecer visão útil ou há intolerância ao seu uso e não é possível implantar anel intra-estromal.

O desenvolvimento tecnológico e o grande número de estudos para o entendimento e tratamento do ceratocone fez com aumentasse em número e complexidade as opções de tratamento do ceratocone. Neste caso a avaliação para o tratamento do mesmo deve ser feita por oftalmologista especialista em ceratocone para que as opções de tratamentos possam ser oferecidas no tempo certo para cada paciente.

Crosslinking

O crosslinking da córnea tem importante papel no tratamento do ceratocone, pois previne sua progressão. Em um percentual menor de casos há também uma pequena diminuição da curvatura da córnea. O procedimento consiste em fazer uma raspagem, removendo parte do epitélio corneano central seguida de aplicação de riboflavina em gotas. A seguir irradia-se a córnea com luz ultravioleta, com exposição e tempo controlados.

O resultado desta modalidade de tratamento do ceratocone é a criação de mais ligações covalentes no estroma o que aumenta a resistência mecânica da córnea. Com isso, há menor chance de progressão do ceratocone pois a córnea torna-se mais resistente sem prejudicar a saúde ocular.

Implante de Anel Intra-estromal corneano

Uma alternativa cirúrgica para o ceratocone é o implante de segmentos de anel corneano (anel intra-estromal). Uma pequena incisão é feita na periferia da córnea e dois arcos de polimetil metacrilato são introduzidos deslizando os segmentos entre as camadas do estroma em cada lado da pupila antes que a incisão seja fechada.

Os segmentos empurram a curvatura da córnea para fora, aplanando o ápice do ceratocone e retornando-o a um formato mais natural. O procedimento, realizado em uma base ambulatorial com anestesia local, oferece o benefício de ser reversível e potencialmente substituível, uma vez que não envolve a remoção de tecido ocular.

O implante do anel pode ocasionalmente melhorar a visão mas em parte dos casos uma correção visual adicional com óculos ou lentes de contato, pode ser necessária. Atualmente o implante do anel intra-estromal pode ser realizado com a tecnologia do laser de femtosegundo, o que torna o procedimento mais preciso e seguro.

Transplante de Córnea

O transplante de córnea é uma cirurgia que consiste em substituir uma porção da córnea (doente) de um paciente por uma córnea saudável, a fim de melhorar a visão (finalidade óptica) ou corrigir perfurações oculares (transplante tectônico).

É indicado em casos de:
• Opacificação da córnea parcial ou total;
• Ceratocone avançado onde o uso de óculos e lentes de contato não corrigem mais o astigmatismo irregular característico dessa doença;
• Perfuração da córnea, devido algum trauma ocular e ou úlcera corneana.

Dessa forma, o transplante de córnea pode ser usado como forma de tratamento de ceratocone quando as demais técnicas, já descritas, não forem eficazes. Em relação ao transplante de córnea, é inegável que os métodos e técnicas evoluíram muito, passando pela utilização do femtosecond laser para realizar a preparação do botão doador e do leito receptor. Isso permite uma melhor cicatrização e um resultado com menor astigmatismo residual devido ao melhor encaixe de ambos.

O fato das técnicas de transplantes de córnea tornarem-se mais sofisticadas possibilitam melhores resultados na qualidade e no tempo de cicatrização, o que por sua vez proporciona uma superfície ocular mais harmônica e menos irregular oferecendo ao paciente melhor acuidade visual.

O refinamento nas técnicas de transplante de córnea para o tratamento do ceratocone permitiu o desenvolvimento do transplante de córnea de espessura parcial ou lamelar. Nesta cirurgia ocorre separação parcial do estroma e assim o cirurgião pode retirar a parte da córnea afetada pelo ceratocone sem remover o endotélio da córnea (camada mais profunda da córnea).

As células endoteliais têm um papel extremamente importante em retirar excesso de água da córnea e manter sua transparência. No transplante tradicional o endotélio da córnea doadora sofre maior dano, podendo comprometer o resultado final. A técnica de transplante lamelar anterior profundo possibilita ao paciente manter o seu endotélio, sedo considerada a técnica de transplante de córnea ideal para o tratamento do ceratocone.

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